Politica

Eleições em Alagoas 2026: pesquisas indicam vantagem de JHC sobre Renan Filho na disputa pelo governo

Levantamentos divulgados em julho mostram o prefeito licenciado de Maceió à frente do senador Renan Filho, mas a diferença ainda está dentro da margem de erro do primeiro turno.

A corrida pelo governo de Alagoas em 2026 ganhou contornos mais claros nas últimas semanas, depois que dois institutos de pesquisa divulgaram números que colocam o prefeito licenciado de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC, à frente do senador Renan Filho na disputa pela sucessão estadual. Os levantamentos, feitos por metodologias diferentes e em datas próximas, indicam certa consistência na vantagem do ex-prefeito, mas também mostram uma disputa que segue apertada, já que a distância entre os dois nomes permanece dentro ou muito perto da margem de erro. Para o eleitor alagoano, a dúvida que fica é simples: essa vantagem é real ou pode se desfazer até outubro? Entender os números, o contexto político por trás deles e o que ainda pode mudar até a votação ajuda a responder essa pergunta com mais clareza.

O que mostram as pesquisas mais recentes

O instituto Paraná Pesquisas ouviu 1.400 eleitores em 52 municípios alagoanos entre 28 de junho e 1º de julho de 2026, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. No cenário estimulado para governador, o levantamento mostrou JHC com 45,9% das intenções de voto contra 41% de Renan Filho, com Lenilda Luna registrando 1,4% e 6,4% dos entrevistados dizendo que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos. O estudo foi contratado pela TV Pajuçara e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AL-04491/2026. Portal Tela

Quando o mesmo instituto simulou um eventual confronto direto entre os dois principais candidatos, a distância aumentou ligeiramente. Nesse cenário testado, JHC apareceu com 47,5% das intenções de voto, contra 42% do senador Renan Filho. A diferença de 5,5 pontos, embora relevante, ainda fica próxima do limite estatístico que separa uma vantagem consolidada de um empate técnico, o que explica por que analistas continuam tratando a disputa com cautela. Poder360

Poucos dias depois, uma segunda pesquisa reforçou a tendência apontada pelo Paraná Pesquisas. O Instituto Ranking, em levantamento exclusivo divulgado pelo portal CadaMinuto, mostrou JHC com 47% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Renan Filho somou 38%, com Lenilda Luna registrando 2%. A pesquisa ouviu 1.201 eleitores entre 9 e 11 de julho, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais, e trouxe resultado semelhante também no cenário espontâneo, quando os nomes não são apresentados previamente ao entrevistado. A Hora News

Um dado que chama atenção nos dois levantamentos é a rejeição. A pesquisa Paraná Pesquisas apontou rejeição de 35,5% para Renan Filho, contra 28% para JHC, enquanto 15,6% dos entrevistados afirmaram que estariam dispostos a votar em qualquer um dos nomes listados. Esse indicador costuma pesar tanto quanto a intenção de voto declarada, porque mede o quanto um candidato consegue crescer, ou não, ao longo da campanha. Revista Oeste

Por que a disputa segue dentro da margem de erro

Tecnicamente, uma diferença de cinco ou seis pontos percentuais entre dois candidatos pode configurar empate quando a margem de erro da pesquisa é de quase três pontos para mais ou para menos. Isso significa que, somando ou subtraindo esse intervalo dos dois lados, os números de JHC e Renan Filho podem se aproximar o suficiente para inverter a ordem observada hoje. É por isso que institutos e analistas evitam cravar um vencedor a esta altura do ano eleitoral, mesmo diante de resultados que apontam repetidamente na mesma direção.

Parte da disputa também se explica pela trajetória recente dos dois candidatos. JHC deixou o comando da Prefeitura de Maceió em abril, migrando do PL para o PSDB antes de formalizar a pré-candidatura ao governo do estado. Renan Filho, por sua vez, deixou o Ministério dos Transportes do governo federal no mesmo período para se dedicar à campanha, com o apoio declarado do atual governador, Paulo Dantas, do MDB, legenda à qual o senador também é filiado.

Esse movimento de bastidores ajuda a entender por que Paulo Dantas não aparece entre os concorrentes ao Palácio dos Martírios em 2026: eleito para completar mandato e depois reeleito em 2022, o governador optou por não disputar um novo período no Executivo estadual e decidiu apoiar publicamente a candidatura de Renan Filho, reforçando a disputa histórica entre os grupos políticos ligados aos Calheiros e a JHC.

Além da distância entre os dois primeiros colocados, outro número chama atenção nas pesquisas: a fatia de eleitores que ainda não decidiu o voto ou prefere não responder. Esse contingente, que passa de 50% em alguns cenários espontâneos, mostra que a eleição em Alagoas está longe de estar definida e que ainda há espaço para movimentação, especialmente à medida que a propaganda eleitoral gratuita e os debates televisivos se intensificarem a partir de agosto.

O que esperar até a votação de outubro

A disputa pelo governo não é a única a mobilizar os holofotes em Alagoas neste ano. As duas vagas do estado no Senado também estão em jogo, com nomes como Alfredo Gaspar, do PL, Arthur Lira, do PP, e Renan Calheiros, do MDB, disputando espaço entre os mais citados nas pesquisas. O resultado dessa corrida paralela tende a influenciar o desempenho de cada candidato ao governo, já que alianças e apoios cruzados costumam se formar entre as chapas majoritárias e as candidaturas ao Legislativo federal.

O clima de disputa acirrada também já chegou à Justiça Eleitoral. Levantamento publicado nesta semana pelo CadaMinuto mostrou que ações envolvendo temas sensíveis das campanhas de JHC e Renan Filho vêm se acumulando no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, sinal de que a fase mais competitiva da corrida já começou, meses antes da votação de fato.

A eleição para governador, senadores, deputados estaduais e federais em Alagoas está marcada para 4 de outubro de 2026, com possibilidade de segundo turno para o cargo de chefe do Executivo estadual caso nenhum candidato atinja maioria dos votos válidos no primeiro turno. Até lá, novos institutos devem divulgar pesquisas, e a tendência é que cada nova rodada de números seja lida com atenção redobrada pelos dois principais grupos políticos do estado.

Para o eleitor, o cenário que se desenha por enquanto é o de uma disputa polarizada entre dois nomes com histórico de mandatos executivos e legislativos em Alagoas, mas ainda sem um favorito absoluto. Os próximos meses de campanha, somados ao resultado da disputa pelo Senado, devem ser decisivos para definir se a vantagem numérica de JHC se converte em vitória no primeiro turno ou se Alagoas terá, mais uma vez, uma decisão apertada nas urnas.

Acompanhar a evolução dessas pesquisas ao longo dos próximos meses é a melhor forma de entender para onde caminha a disputa pelo governo de Alagoas. Números isolados dizem pouco quando analisados fora do contexto da margem de erro e da rejeição de cada candidato, por isso o ideal é observar a tendência ao longo do tempo, e não apenas o resultado de um único levantamento. A eleição de outubro deve definir não só quem comanda o estado nos próximos quatro anos, mas também o equilíbrio de forças entre grupos políticos que disputam espaço em Alagoas há mais de uma década.

What's your reaction?

Excited
0
Happy
0
In Love
0
Not Sure
0
Silly
0

Você também pode gostar

Mais em.Politica

Comments are closed.