O que realmente faz diferença em uma operação de alto risco? Saiba agora com Ernesto Kenji Igarashi
Em situações críticas, a margem entre um resultado controlado e uma consequência irreversível pode ser medida em segundos. Conforme alude Ernesto Kenji Igarashi, especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, não em horas, não em minutos: em segundos. Esse nível de compressão temporal transforma completamente a natureza das decisões exigidas, tornando irrelevante muito do que funciona bem em contextos de maior folga operacional.
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Por que o tempo de resposta é determinado muito antes da situação crítica?
A velocidade de resposta em uma operação crítica raramente é produto do momento. Ela é resultado acumulado de centenas de horas de treinamento, revisão de protocolo e exposição deliberada a situações de pressão controlada. Quando um profissional bem preparado enfrenta uma situação de alto risco, o que parece ser uma resposta rápida é, na verdade, o resultado de um processo de reconhecimento de padrões que acontece abaixo do nível da consciência: o cérebro identifica a situação, a classifica dentro de um repertório conhecido e aciona a resposta correspondente sem precisar de deliberação longa.
Ernesto Kenji Igarashi demonstra que esse mecanismo, descrito pela psicologia cognitiva como reconhecimento-ação, explica por que profissionais experientes e bem treinados tomam decisões corretas mais rapidamente do que novatos, mesmo quando ambos têm acesso às mesmas informações. A experiência não apenas adiciona conhecimento: ela estrutura esse conhecimento em padrões reconhecíveis que reduzem drasticamente o tempo entre percepção e ação. Treinamento intensivo simula esse processo de forma acelerada, construindo repertório sem a necessidade de exposição ao risco real.
O outro lado dessa equação é igualmente importante: respostas mal treinadas são tão automáticas quanto as bem treinadas, e são muito mais difíceis de corrigir sob pressão. Profissionais que praticaram procedimentos incorretos ou que desenvolveram hábitos operacionais inadequados tendem a reproduzi-los exatamente nos momentos em que mais precisariam de precisão. Por isso, como destaca Ernesto Kenji Igarashi, a qualidade do treinamento importa tanto quanto a quantidade: o que é praticado se torna o padrão.

Ernesto Kenji Igarashi
Como o estresse afeta a tomada de decisão e o que fazer a respeito?
O estresse em situações de alto risco não é apenas uma experiência subjetiva desconfortável; ele tem efeitos fisiológicos e cognitivos concretos que alteram a capacidade de percepção, raciocínio e ação. O campo visual se estreita, a atenção se concentra em ameaças imediatas e pode ignorar informações periféricas relevantes, o processamento de informações complexas fica mais lento e a tendência a buscar soluções familiares aumenta, mesmo quando elas não são adequadas para a situação específica. Conhecer esses efeitos é o primeiro passo para mitigá-los, comenta Ernesto Kenji Igarashi.
Técnicas de regulação fisiológica, como controle respiratório e ancoragem atencional, foram incorporadas ao treinamento de equipes de segurança de alto desempenho justamente porque permitem modular parcialmente a resposta ao estresse sem eliminá-la. Como pontua Ernesto Kenji Igarashi, o objetivo não é remover o estado de alerta, que tem função adaptativa real, mas impedir que ele ultrapasse o limiar a partir do qual começa a prejudicar o desempenho. Profissionais treinados nessas técnicas mantêm capacidade funcional em níveis de pressão que paralisariam quem não foi preparado para isso.
Os fatores que separam execução precisa de execução improvisada
Quando o tempo é mínimo e a pressão é máxima, a qualidade da execução depende de fatores que foram construídos muito antes daquele momento. De acordo com Ernesto Kenji Igarashi, o primeiro deles é a clareza de missão, pois profissionais que sabem exatamente o que precisam alcançar, quais são seus limites de ação e como seu papel se encaixa no conjunto da operação tomam decisões mais rápidas e mais alinhadas com os objetivos. Ambiguidades sobre a missão produzem hesitação, e hesitação em situações críticas tem custo real.
A familiaridade com o equipamento é outro fator determinante. Operar com ferramentas que não foram suficientemente praticadas exige atenção consciente que deveria estar disponível para o ambiente. Profissionais que manuseiam seu equipamento com fluência liberam recursos cognitivos para o que realmente importa: leitura da situação, comunicação com a equipe e adaptação em tempo real. Essa fluência só existe depois de horas de prática com o equipamento específico que será usado na operação.
A coesão da equipe, trabalhada ao longo do tempo em treinamentos conjuntos, completa esse conjunto de fatores. Em situações onde o tempo não permite comunicação verbal detalhada, equipes coesas operam a partir de entendimento compartilhado desenvolvido anteriormente: cada membro antecipa o próximo movimento do colega, reconhece quando alguém precisa de apoio e adapta sua própria ação para manter a funcionalidade coletiva. Como reforça Ernesto Kenji Igarashi, essa sincronia não é instintiva, é o produto direto de preparação sistemática realizada antes de qualquer situação real exigi-la!
Autor: Diego Rodríguez Velázquez







