Politica

Alagoas vive clima de tensão após militar sugerir perseguição a jornalistas

Em Alagoas, uma polêmica recente mobilizou a classe jornalística do estado: declarações de um coronel da reserva têm sido interpretadas como incentivo à perseguição de profissionais da imprensa. O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) reagiu com veemência, apontando risco à liberdade de expressão e à integridade institucional. A reação coloca em destaque o papel da imprensa em um momento delicado para a democracia local.

As falas polêmicas aconteceram durante um evento oficial promovido pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP), onde o militar associou reportagens jornalísticas alagoanas à “narcocultura”, insinuando que parte da mídia estaria colaborando com atividades criminosas. Segundo o Sindjornal, essas insinuações beiram a criminalização do trabalho jornalístico, já que sugerem uma deslegitimação das matérias produzidas pela imprensa local. O sindicato também aponta tom de ameaça nas declarações, principalmente quando o coronel mencionou a ideia de “chamar o repórter” para questionamentos pessoais ou produzir dossiês.

A nota pública do Sindjornal e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) afirma que a postura do militar representa “grave risco ao estado democrático de direito”. A entidade lembra que durante a ditadura militar houve perseguição sistemática a jornalistas e defende que, embora o contexto atual seja diferente, a retórica autoritária pode abrir precedentes perigosos para a liberdade de imprensa em Alagoas. Para o sindicato, é um alerta institucional: ao associar trabalho jornalístico a crime, corrói-se a confiança pública na mídia.

Além disso, o Sindjornal questiona o possível uso de inteligência da própria Secretaria de Segurança para monitorar profissionais. Segundo a entidade, em um momento de fragilidade institucional, sugerir esse tipo de ação institucional contra jornalistas representa um desvio de função que pode comprometer não apenas a imparcialidade da polícia, mas a própria democracia no estado. A preocupação é que a segurança pública, em vez de proteger cidadãos, seja usada para intimidar vozes críticas.

A reação à fala do militar também inclui mobilização política e social. Organizações da sociedade civil e atores de direitos humanos têm acompanhado o desdobramento da crise, considerando que, se não houver resposta institucional eficiente, declarações como essas podem inspirar ações similares em outras esferas públicas. Para muitos, deixar passar esse tipo de discurso é abrir espaço para erosão de direitos conquistados, entre eles a livre manifestação de ideias.

Do ponto de vista jurídico, a situação pode demandar apuração rigorosa. A atuação da Secretaria de Segurança, manifestações públicas de membros da reserva militar e o conteúdo das declarações precisam ser avaliados por autoridades competentes, sobretudo no que tange ao uso de estrutura estatal para eventuais investigações sobre jornalistas. Há quem defenda que órgãos de controle, como o Ministério Público, devem atuar para garantir que liberdade de imprensa e segurança institucional sejam preservadas.

Também é relevante considerar o impacto para a classe jornalística local. Jornalistas em Alagoas relatam um ambiente de intimidação que pode desencorajar investigações mais profundas, especialmente sobre temas sensíveis. A ameaça velada de dossiês ou questionamentos pessoais pode levar a uma autocensura, o que prejudicaria o direito da população de receber informações diversas e críticas.

No contexto alagoano, essa crise simbólica e potencialmente institucional reforça a importância de sindicatos fortes, como o Sindjornal, e a necessidade de câmaras de diálogo entre governo, imprensa e sociedade. Se bem conduzido, o episódio pode acabar reforçando mecanismos democráticos de proteção à imprensa. Por outro lado, se negligenciado, pode marcar um retrocesso perigoso em termos de liberdade de expressão em Alagoas.

Autor: Richar Schäfer

What's your reaction?

Excited
0
Happy
0
In Love
0
Not Sure
0
Silly
0

You may also like

More in:Politica

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *